A Baixada Maranhense no Abismo: Penalva e Cajari figuram entre os municípios com os piores indicadores estaduais, revelando desafios históricos e negligência

O Maranhão atingiu o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,745, segundo o Radar IDHM do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e tem o 2º pior índice de qualidade de vida do país no Índice de Progresso Social (IPS).
O IDHM mede três pilares: expectativa de vida, educação e renda. É uma medida-síntese destinada a avaliar o progresso de longo prazo.
Segundo os dados do IPS Brasil, que avalia a qualidade de vida e o atendimento de necessidades humanas básicas, os municípios da região metropolitana pontuam da seguinte forma: São Luís: 65,64 pontos; Paço do Lumiar: 63,06 pontos; São José de Ribamar: 62,42 pontos e Raposa: 60,12 pontos.
São Luís avança na inclusão social, mas ainda enfrenta desafios básicos.
Os municípios do interior do Maranhão apresentam realidades diferentes em relação ao desenvolvimento humano e progresso social.
Abaixo estão os recortes das cidades do interior e a análise dos fatores estruturais do estado.
Desempenho de Cidades do Interior:
O IPS Brasil e o Radar IDHM avaliam as cidades pelas suas realidades sociais e econômicas locais: Imperatriz (61,16 pontos) e Balsas (56,70 pontos). Esta última é forte no polo do agronegócio na região sul. Essas cidades despontam com bons indicadores econômicos e estruturais, enquanto municípios menores enfrentam desafios sociais crônicos.
Cidades de Médio Porte: Pedreiras (62,05 pontos), Pastos Bons (61,98 pontos), Timon (61,78 pontos) e Açailândia (61,52 pontos) conseguem manter índices equilibrados e atendimento a serviços essenciais.
Maiores Desafios:
Municípios como Peritoró (47,53 pontos), Cajari (47,87 pontos) e Marajá do Sena (47,90 pontos) registram os menores desempenhos do estado, enfrentando barreiras severas no acesso a oportunidades e infraestrutura básica.
Indicadores e impactos na região: A variação dos pilares do IDH e da qualidade de vida no Maranhão é impulsionada por fatores específicos: renda e trabalho.
Apesar de o Maranhão registrar a menor renda per capita do país, segundo o IBGE, a renda média estadual, medida pelo Radar IDHM, cresceu de R$ 338,42 para R$ 481,46.
Em relação à renda, uma pessoa branca no Distrito Federal tem rendimento médio de R$ 1.987,00, enquanto uma pessoa negra no Maranhão registra média de R$ 446,00.
Políticas públicas de transferência de renda focadas em segurança alimentar (como cozinhas comunitárias e o plano estadual) são as que mais provocam impacto imediato na sobrevivência e no consumo das famílias no interior.
A longevidade e a saúde no Maranhão são severamente prejudicadas pela baixa cobertura de saneamento básico (água tratada e esgoto).
Cidades com notas muito baixas no interior geralmente sofrem com a falta de redes coletoras de esgoto, gerando impacto direto na mortalidade infantil e na proliferação de doenças evitáveis.
Cidades maranhenses como Peritoró (47,53 pontos), Cajari (47,87 pontos) e Marajá do Sena (47,90 pontos) aparecem entre os menores índices de desenvolvimento.
O município de Penalva, localizado na Baixada Maranhense, apresenta uma pontuação de 49,55 no Índice de Progresso Social (IPS Brasil), ocupando a 10ª pior posição no ranking estadual, refletindo carências severas em infraestrutura, saneamento básico e oportunidades de inclusão social.
A comparação entre Penalva (49,55 pontos), Cajari (47,87 pontos) e Viana (51,70 pontos) revela a forte desigualdade interna na Região dos Lagos da Baixada Maranhense.
Enquanto Viana funciona como o polo regional com melhores estruturas socioeconômicas, Penalva e Cajari figuram historicamente entre os menores índices de qualidade de vida do estado.
Viana lidera o bloco regional por ter uma malha urbana mais consolidada e maior independência fiscal.
Segundo o chefe do PNUD no Brasil, Claudio Providas, o resultado reflete décadas de investimentos e políticas públicas voltadas à melhoria da qualidade de vida da população.
Fonte: Site do PNUD
A pesquisa foi divulgada no site do PNUD no dia 26/05/2026, referente ao período de 2012 a 2024. A publicação voltou a ser divulgada após 10 anos.
Lamentavelmente, o estado do Maranhão vem ocupando sempre os piores índices de desenvolvimento; já os municípios de Penalva e Cajari ocupam sempre as piores posições.
Apesar dos desafios sociais e econômicos, Penalva possui grande relevância ecológica, tendo como destaque a região do Formoso, com sua Ilha Flutuante que atrai a atenção das pessoas, sendo completamente ignorada pelo poder público.

Gilmar Pereira Santos é advogado e escritor de livros infantis.










