
Um relato real que une fé, amor e solidariedade em meio à dor
No dia 14/07/2025, o jornalista Maurício Businari publicou, no portal UOL, a notícia de que um caminhoneiro brasileiro que mora nos EUA há seis anos quer voltar com a família para o Brasil, após a esposa ter ficado em estado vegetativo no país. A mulher teve três paradas cardíacas e precisa de uma UTI aérea que custa até R$ 1 milhão.
O caminhoneiro Ubiratan Rodrigues da Nova, 41 anos, tenta trazer a esposa de volta ao Brasil. Ele mora em Orlando, na Flórida, com Fabíola da Costa, 31 anos, e os três filhos.
Fabíola teve um mal súbito em casa, no final de 2024, enquanto o marido estava em viagem para o Texas. Ela desmaiou na frente dos filhos e precisou ser levada às pressas para o hospital. “Quando cheguei, o chão desmoronou”, disse Ubiratan. Ele conta que, embora ela reaja a vozes e toques, os médicos dizem não haver perspectiva de reabilitação nos EUA.
Ele precisou reduzir o trabalho como caminhoneiro para cuidar da esposa e dos filhos e passou a depender de doações de amigos, colegas caminhoneiros, da igreja e da comunidade brasileira nos EUA. “Tem de ser pai, mãe, enfermeiro, médico, tudo ao mesmo tempo. Mas Deus tem dado forças.”
Ubiratan conta que, antes de tudo acontecer, a família havia vendido um apartamento no Brasil. “Fazia dois meses que havíamos vendido esse apartamento”, lembra. O dinheiro, porém, acabou rapidamente. “Logo no começo a gente usou esse recurso, mas as contas aqui são muito altas. Quando convertemos para dólar, que na época chegou a seis reais, o dinheiro acabou rápido.”
Hoje, a família mora de aluguel nos EUA e vive preocupada com as contas mensais. “Todo mês a gente fica preocupado se vai conseguir pagar tudo. Não dá para ir para a rua com três filhos e a esposa nessa situação.”
Antes de tudo acontecer, Ubiratan trabalhava como caminhoneiro nos EUA, ganhando, em média, 1.500 dólares por semana. Desde que Fabíola entrou em estado vegetativo, ele precisou parar de trabalhar para cuidar da família.
Apesar de terem seguro de saúde, ele diz que a família enfrentou muitas despesas que não foram cobertas. O plano bancou grande parte do tratamento hospitalar, mas não custeou deslocamentos nem os cuidados em casa. “Precisamos acionar ambulância seis vezes para ir e voltar do hospital; cada trajeto custava cerca de mil dólares.”
Após sete meses internada, Fabíola teve alta hospitalar no final de abril e foi levada para casa. “A gente não teve suporte; tivemos de comprar tudo para cuidar dela: materiais para curativo, medicação”, relata Ubiratan.
Planejamento da volta
Para tentar custear o voo de volta para o Brasil em uma UTI, o caminhoneiro criou duas vaquinhas online. Uma delas está no GoFundMe, nos EUA, com meta de US$ 250 mil (cerca de R$ 1,4 milhão). A outra, no Brasil, foi criada no site Vaquinha, com meta de R$ 800 mil.
Ubiratan conta que já buscou apoio do governo brasileiro para trazer Fabíola de volta, mas não obteve sucesso. Ele afirma que entrou em contato com o consulado brasileiro nos EUA e recebeu resposta negativa sobre a possibilidade de custear o voo de UTI, que pode chegar a mais de R$ 1 milhão.
Ao UOL, o Itamaraty disse que acompanha o caso e presta assistência consular à brasileira e a seus familiares, “inclusive por meio de assistência psicológica e jurídica”.
Viagem de carro dos EUA até o Brasil
A segunda parte da reportagem dos jornalistas Ângela Celeste e Maurício Businari, do portal UOL, em 18/10/2025, relata que Ubiratan pretende dirigir dos EUA até o Brasil com a esposa em estado vegetativo.
A ideia de viajar dos EUA ao Brasil de carro surgiu como alternativa ao alto custo de uma UTI aérea. Segundo o marido, duas cotações foram feitas: uma com uma empresa brasileira, de Goiânia, no valor de R$ 720 mil, e outra com uma empresa americana, por US$ 121 mil (equivalente a R$ 657 mil).
Já a compra de um motorhome custaria, em média, US$ 30 mil (cerca de R$ 163.680), segundo Ubiratan. A cotação é para um veículo de 2019, ainda conforme o caminhoneiro.
O plano é adaptar o veículo com cama e aparelhos portáteis, que funcionam apenas com energia elétrica. Para garantir o fornecimento, ele pretende usar três fontes: as baterias do motorhome, um gerador e energia solar.
A viagem de motorhome, de Orlando (Flórida) até Juiz de Fora (Minas Gerais), deve durar entre 50 e 60 dias, segundo Ubiratan. O trajeto passará por México, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Equador e Peru. A entrada no Brasil está prevista pelo Acre, com destino final em Minas Gerais. A partida está planejada para o final de outubro.
Viagem de volta bem-sucedida
O portal g1 Zona da Mata – Juiz de Fora noticiou, em 22/10/2025, que, após uma longa e difícil batalha para conseguir voltar ao Brasil, Fabíola Costa, de 32 anos, que estava em estado vegetativo nos Estados Unidos, chegou a Juiz de Fora, no dia 20/10/2025 (segunda-feira), sua cidade natal. Ela foi levada diretamente para o hospital, onde segue internada sem previsão de alta.
Segundo familiares, Fabíola ficará internada no Hospital Ana Nery, onde será submetida a exames para definir o tratamento que será realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Mobilização para realização do transporte
Inicialmente, a família planejava trazê-la em um motorhome adaptado, em uma viagem de cerca de 50 dias entre os Estados Unidos e o Brasil. No entanto, a repercussão do caso chegou a um grupo de amigos, que resolveu contribuir com a família.
Durante uma live feita na tarde desta quarta-feira, 22/10/2025, Ubiratan disse que o transporte aéreo foi realizado em aeronave particular, não teve custo e que o dinheiro arrecadado será usado no tratamento da brasileira, que poderá ser transferida para um hospital particular.
Gastos acumulados ultrapassam R$ 500 mil
Segundo Ubiratan, o total das despesas desde o mal súbito já passou de R$ 500 mil. O plano de saúde não cobre as sessões regulares de fisioterapia, as fraldas, os curativos e outros materiais básicos. Medicação, vitaminas e alimentos via sonda são bancados pela família e por doações.
O que podemos aprender com este caso
Trouxe o relato deste caso porque nos traz ensinamentos a respeito do valor da vida e da solidariedade, da força do amor familiar, da fragilidade da vida e da imprevisibilidade do destino, da importância do SUS, do papel do Estado e da omissão pública.
O valor da vida e da solidariedade
O episódio mostra como a vida humana é frágil diante da tragédia que essa família enfrentou longe de
seu país, arcando com altos custos de tratamento e burocracia. A solidariedade de amigos e desconhecidos demonstra que a empatia pode transformar a vida das pessoas.
A força do amor familiar
O amor incondicional de Ubiratan por sua família revela o poder do amor como base de resistência diante do sofrimento.
A importância do SUS
Mesmo com suas deficiências, o SUS representa a garantia do direito à saúde e, como neste caso, a esperança de tratamento. Este episódio pode servir como reflexão sobre a desigualdade de acesso à saúde entre países e dentro do próprio Brasil.
A fragilidade da vida e a imprevisibilidade do destino
Em questão de tempo, uma vida estável e feliz pode se transformar diante de uma tragédia, mostrando a vulnerabilidade da existência humana.
A omissão do Estado
Este caso desperta reflexão sobre o dever do Estado para com seus cidadãos quanto à assistência consular, políticas públicas, burocracia e omissão estatal, que pouco fez para amenizar a dor dessa família. Este caso é uma lição de esperança — uma forma de resistência emocional e espiritual.

Gilmar Pereira Santos é escritor de livros infantis









